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  • Lidia Ferreira

A Invisibilidade da Mulher Com Deficiência.


“Deficiente” é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.” Renata Vilella


Na rotina do dia a dia, muitas das vezes não pensamos na complexidade que envolve na nossa capacidade mínima para exercer funções básicas, porém fundamentais para a nossa sobrevivência.


Ao acordarmos, o simples ato de poder sentar na cama, colocar os pés no chão e levantar para iniciar as nossas tarefas, nem sempre temos consciência de tudo que está envolvido na nossa capacidade de locomoção. Na verdade, na maioria das vezes, só nos deparamos com a importância de poder ter a total capacidade de vivermos de forma independente e sem qualquer limitação, seja essa: física, auditiva, cognitiva, sensorial, neurológica, visual, mental, emocional ou até mesmo verbal, quando enfrentamos uma dificuldade. Quem, após uma topada desagradável na quina de um móvel, percebeu o quanto pode ser dolorido colocar o pé afetado no chão para andar? Imagine então, o cotidiano de alguém com deficiência.


No mundo, 15% da população; ou seja; cerca de 1 bilhão de pessoas são deficientes. Pessoas com deficiência fazem parte do maior grupo de minoria, segundo o Departamento de Economia e Ação Social das Nações Unidas. No dia 3 de dezembro é o dia internacional do deficiente físico. Somente no ano de 1992 a Assembleia Geral da Resolução 47/3, realizada pela as Nações Unidas estabeleceu o dia consciência ao deficiente e em 2006 a Convenção do Direitos das Pessoas Com Deficiência estabeleceu um plano de ação para garantir os direitos de inclusão e recursos básicos para 2030 como o principal objetivo de políticas e medidas inclusivas para todos os deficientes.

O papel fundamental das organizações governamentais é promover projetos e criar leis que possam proteger e assegurar os direitos e a qualidade de vida dos deficientes é essencial, especialmente devido que os países em desenvolvimento que são os mais afetados pelo o número de casos de deficiência. Cerca de 80% dos deficientes vivem em países pobres e com poucos recursos especializados, segundo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. Isso significa também, que a taxa de pessoas com deficiência é maior nos países com baixo índice de escolaridade, o que representa que 19% da população comparado com 11% das pessoas com formação fundamental completa ou com nível superior.


Pessoas Portadoras de Deficiência ou Pessoas Com Deficiência?

É comum escutarmos o termo “portadoras de deficiência” ou “portadoras de necessidades especiais”, no entanto a maneira correta é, pessoa com deficiência. O motivo que a terminologia correta para se referir a alguém com deficiência e não “portadoras” é que, quem “porta” tem condições de deixar, ou se livrar sempre que desejar. No entanto quem sofre de deficiência não tem o poder de decidir quando e como vai deixar de conviver com a deficiência. Por exemplo, quem sofre de deficiência visual não tem condições de determinar quando e como poderá voltar a capacidade total da visão. Infelizmente o uso incorreto do termo “portadoras” influencia negativamente no aumento do preconceito e da exclusão. Esse erro comum, é quase tão grave quanto as formas: discriminatórias, insensíveis, preconceituosas que foram abolidas na década de oitenta, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou o termo pessoas deficientes. No entanto, mesmo depois de mais de duas décadas, até hoje, ainda escutamos pessoas se referindo a alguém com deficiência como: “retardado”, “aleijado”, “defeituoso”, “doido”, “maluco”, incapacitado”, “inválido”. O importante é a conscientização de que quem possui uma deficiência é muito maior do que o rótulo ou o motivo que a leva essa pessoa a conviver com a deficiência, assim como não podemos ser rotuladas pela a nossa condição física, econômica, social religiosa ou política.


A Invisibilidade da Mulher Com Deficiência.

Entre nós mulheres, enfrentamos desvantagens múltiplas quando se trata de deficiência. As mulheres estão mais suscetíveis a violência de gênero se além de ser mulher ainda possui uma deficiência. Várias são as barreiras enfrentadas pela a mulher deficiente e uma delas e talvez a mais grave seja a invisibilidade. Ser invisível é ser ignorada pela a sociedade que provoca desigualdade diminuindo as oportunidades tanto, socialmente, quanto profissionalmente. A falta de oportunidade no mercado de trabalho para mulheres com deficiência é um dos motivos que leva o baixo número de recursos básicos como: alimentação balanceada e o acesso aos profissionais médicos. Além disso, as mulheres são mais suscetíveis ao abandono de seus companheiros por causa da deficiência.


Desvantagem no mercado de cosméticos.

A Business Insider publicou uma matéria sobre o valor bilionário do mercado de beleza e cuidados pessoais, que fez o cálculo do valor de vendas de produtos e serviços da indústria de beleza, estimado em $532 bilhões de dólares. No entanto,no mundo da moda e beleza, as mulheres com deficiência ainda não possuem acesso ou produtos específicos para as necessidades como merecem. Por exemplo, qual a mulher gostando de se maquiar, possui um conjunto básico de pincéis para maquiagem? Mas eu pessoalmente, nunca vi nas lojas de departamento pincéis a venda para pessoas com deficiência física. Poucas são as empresas que se dedicam a desenvolver produtos específicos para esse grupo de consumidoras que; assim como todas as mulheres; também tem o direito de poder comprar uma calça jeans adequada a sua realidade para um maior conforto e satisfação pessoal.


O Direito ao Prazer Sexual.

A #mulher com deficiência também enfrenta o preconceito de não ter o direito a uma vida sexual completa e satisfatória. Principalmente as mulheres com deficiência física, sofrem com a falta de informação que mesmo uma cadeirante tem condições de ter uma vida sexualmente ativa. Muitas pessoas com paralisia admitem que descobriram o prazer ainda mais intenso ou melhor após se tornarem paraplégicas. Mesmo com toda a dificuldade e limitação física a redescoberta do próprio corpo colaborou para o aumento do prazer. Isso não significa que todas as mulheres com deficiência vivem uma vida sexualmente feliz, assim como as demais mulheres que não possuem algum tipo de deficiência são totalmente felizes e satisfeitas com a vida sexual. É #preconceito achar que a mulher com deficiência é “infeliz” ou “incapaz” de ter ou de proporcionar prazer.


Exemplos de Mulheres Com Deficiência Que Encontraram o Seu Papel Transformador No Mundo.

Muitos são os exemplos de mulheres com deficiência que vivem uma vida produtiva independente de todas as limitações. Como na nossa mente a deficiência é erroneamente vista como algo que podemos perceber claramente, como por exemplo uma mulher em uma cadeira de rodas, ou uma mulher com deficiência visual com dificuldade para atravessar a rua, normalmente não percebemos como convivemos com pessoas com deficiência em todos os lugares.


Enquanto fazia uma pesquisa sobre o tema descobrir várias mulheres que são ou que deixaram um legado importante para a sociedade independente da “deficiência”.

Um dos exemplos é a Clara Barton fundadora da Cruz Vermelha Americana. Desde de criança clara possuía um desejo de se alistar a carreira militar, mas o que a atraia mesmo era poder ajudar as pessoas. Com apenas 15 anos de idade, Clara se tornou professora em Massachusetts, vindo a formar uma escola pública em New Jersey. Anos depois, já morando em Washington DC, viu a Guerra Civil de 1865 de perto quando resolveu ajudar a cuidar dos soldados feridos enquanto organizava as enfermeiras locais levantando recursos financeiros. Depois de vários anos de trabalho, aceitou o convite de iniciar a Red Cross nos Estados Unidos. No entanto, o que poucas pessoas sabem sobre Clara Barton, é que apesar de um corpo forte e de saber atirar muito bem, Clara sofria de gagueira. Outra mulher profissionalmente bem sucedida que convive com a mesma deficiência que a Clara enfrentava é a atriz americana Julia Roberts. Como a fundadora da Red Cross Americana, Julia Roberts superou o preconceito se tornando uma das atrizes mais premiadas e reconhecidas na indústria cinematográfica.


Um outro exemplo de #superação de uma mulher com #deficiência que escolheu contribuir para transformação da vida de pessoas com deficiência auditiva, é a escritora, empresária, palestrante e criadora de conteúdo Paula Pfeifer. Crônicas da Surdez é o título do primeiro livro lançado em 2013 onde Paula compartilha sua experiência como enfrentou a surdez a partir dos 16 anos quando foi diagnosticada com deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. No livro, Paula Pfeifer também conta as crônicas escritas em seu blog Crônicas da Surdez. A partir do seu trabalho em apoio aos deficientes auditivos Surdos Que Ouvem, Paula recebeu o prémio de 1 milhão de dólares oferecido por Facebook Community Leadership Program em 2018, que beneficia projetos de #líderes comunitários com visão de impacto social.


Saindo da Invisibilidade.

Saiba você que a deficiência é uma realidade de qualquer sociedade e que apesar de vivermos com condições atuais que nos possibilitam a fazermos escolhas, é necessário agirmos de forma a gerar transformação positiva na qualidade de vida de todas as pessoas com deficiência. Como mulheres estamos mais sujeitas ao abuso sexual e outros tipos de #violência, mas isso não significa que o papel de #vítima venha determinar o nosso futuro. Não devemos viver presas a uma condição, mas sim devemos prosseguir vencendo todos os obstáculos e principalmente sendo um canal de mudança na vida da nossa sociedade. Sair da invisibilidade requer também uma mudança de comportamento que inicia dentro de casa, quando conversamos com: os nossos filhos, amigos, colegas de trabalho, familiares e representantes locais.

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